O cinema tem o poder de entreter, emocionar e fazer rir. Mas, em alguns momentos, ele também consegue provocar reflexões importantes e aproximar diferentes setores da sociedade em torno de uma mesma causa. Foi exatamente isso que aconteceu com a primeira temporada de “Pinta: Um Guia Arroxado”.
Desde o início, a série nasceu com um propósito que ia muito além da produção audiovisual. Nossa intenção era dar visibilidade a um personagem inspirado na juventude periférica potiguar e mostrar que cultura, identidade e pertencimento também são instrumentos de transformação social.
Durante a fase de divulgação da série, fizemos questão de convidar representantes do poder público, parlamentares, gestores e lideranças para conhecerem de perto essa história. O convite era simples: assistir a uma obra produzida no Rio Grande do Norte e refletir sobre a importância de investir em oportunidades para a juventude negra e periférica, ampliando o acesso à cultura, à educação e à economia criativa.
A resposta foi emocionante.
Na sessão de pré-estreia realizada no cinema, diversos convidados registraram aquele momento em suas redes sociais, compartilharam impressões sobre a obra e demonstraram entusiasmo com o potencial do audiovisual potiguar. Mais do que prestigiar um lançamento, eles testemunharam o nascimento de uma narrativa capaz de fortalecer a identidade cultural do nosso estado e de inspirar novos caminhos para as políticas públicas.
A partir daquele encontro, começaram a surgir novas oportunidades de diálogo.
Uma delas aconteceu durante uma audiência voltada à educação, quando tivemos a oportunidade de apresentar o trailer da série para professores e gestores da rede pública. Naquele espaço, mostramos que “Pinta: Um Guia Arroxado” poderia ser muito mais do que entretenimento. Por possuir licença de uso que permite sua utilização em atividades educacionais, a série passou a ser apresentada como uma ferramenta pedagógica para discutir variação linguística, patrimônio cultural, identidade regional, turismo, audiovisual e pertencimento.
Outra parceria importante foi construída com a Subsecretaria de Juventude do Governo do Rio Grande do Norte. Durante a abertura da programação do Mês da Juventude, parte da equipe da série participou de um encontro com estudantes, educadores e representantes do poder público. Na ocasião, três episódios foram exibidos e o diretor e ator Kaiony Venâncio conversou com o público sobre o processo de criação da obra, os desafios da produção independente e a importância de acreditar no potencial criativo da juventude potiguar.
Essa aproximação não ficou restrita a um único evento. Em outras ações promovidas pela Subsecretaria, a série voltou a ser exibida para estudantes da rede pública, ampliando seu alcance e fortalecendo seu papel como instrumento de diálogo entre cultura, educação e cidadania.
Experiências como essas reforçam uma convicção que acompanha nossa trajetória: cultura não é gasto. Cultura é investimento.
Cada produção audiovisual movimenta profissionais, fortalece empresas locais, gera empregos, forma novos talentos e cria oportunidades para que jovens enxerguem possibilidades de futuro dentro da economia criativa. Quando um estudante assiste a uma produção realizada em seu próprio estado, ele percebe que aquele universo também pode fazer parte da sua realidade. Ele entende que pode ser ator, roteirista, diretor, produtor, técnico de som, fotógrafo, figurinista ou qualquer outro profissional que compõe essa cadeia produtiva.
Por isso, acreditamos que o audiovisual deve ser reconhecido como uma indústria estratégica para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Investir em cinema é investir em educação, turismo, inovação, memória, identidade e geração de renda.
A trajetória da primeira temporada reforçou essa percepção. Além da circulação em escolas, da exibição em televisão aberta e da repercussão junto ao público, a série conquistou reconhecimento nacional e internacional ao ser premiada no Rio WebFest, um dos mais importantes festivais de webséries do mundo. Entre os reconhecimentos recebidos está o Troféu Adeline Becker, homenagem que reforçou a relevância da produção potiguar no cenário audiovisual.
Todo esse percurso fortaleceu um sonho que continua guiando nosso trabalho: contribuir para que o potiguês, com suas palavras, expressões e formas únicas de falar, seja cada vez mais reconhecido como um patrimônio cultural do Rio Grande do Norte. Nossa identidade linguística é uma das maiores riquezas do estado e merece ser valorizada, estudada e preservada pelas futuras gerações.
É justamente esse propósito que inspira a segunda temporada de “Pinta: Um Guia Arroxado”. Mais do que novos episódios, o projeto pretende ampliar sua atuação com materiais educativos, publicações, ações culturais e experiências que permitam ao público levar consigo um pouco dessa riqueza cultural após cada exibição.
Porque, quando o cinema dialoga com a educação, com a cultura e com o poder público, ele deixa de ser apenas uma obra artística. Ele se transforma em uma ferramenta capaz de fortalecer identidades, abrir oportunidades e construir futuros.
